O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, apelou a Donald Trump para que ponha fim à sua "ilegal beligerância" e se envolva em "conversações sérias" com o seu governo, enquanto permanecem questões sobre um alegado ataque aéreo da CIA à Venezuela pouco antes do Natal.
Numa entrevista televisiva de uma hora, Maduro não confirmou os relatos do aparente ataque dos EUA, que seria o primeiro em solo venezuelano desde que Trump iniciou uma campanha de cinco meses de pressão militar em agosto. "Isto pode ser algo de que falaremos dentro de alguns dias", disse Maduro ao jornalista espanhol Ignacio Ramonet. A entrevista foi realizada enquanto Maduro percorria as ruas de Caracas, aparentemente para projetar calma face à pressão dos EUA.
Durante o que chamou de transmissão do "carro-pod", Maduro passou pela casa da sua infância e pela igreja onde foi batizado e fez a primeira comunhão. "Caracas está tão bonita", comentou, exortando os eleitores norte-americanos a considerarem se querem que Trump os conduza a uma versão sul-americana da Guerra do Iraque.
Maduro rejeitou as alegações dos EUA de que lidera uma organização "narcoterrorista" que inunda a América com drogas, uma justificação usada para a campanha de Trump. Ele sugeriu que o verdadeiro objetivo de Washington é controlar os recursos da Venezuela, como petróleo, ouro e metais de terras raras.
"Como não podem acusar-me a mim ou à Venezuela de ter armas de destruição maciça... ou mísseis nucleares... ou armas químicas... inventaram uma alegação que os EUA sabem ser tão falsa quanto a das armas de destruição maciça que os levou a uma guerra eterna", disse Maduro. "Acredito que precisamos deixar tudo isto de lado e iniciar conversações sérias."
Ele acrescentou: "O governo dos EUA sabe... que se quiserem discutir seriamente um acordo para combater o tráfico de drogas, estamos prontos. Se querem petróleo, a Venezuela está pronta para o investimento dos EUA, como com a Chevron, quando quiserem, onde quiserem e como quiserem."
No mês passado, o The New York Times relatou que Maduro tem dormido em locais diferentes e trocado de telefones para evitar ser capturado ou morto pelas forças dos EUA. Quando questionado sobre o impacto da pressão de Trump no seu bem-estar, Maduro pareceu despreocupado. "Tenho um bunker à prova de falhas: Deus Todo-Poderoso", respondeu. "Confiei a Venezuela ao nosso Senhor Jesus Cristo, o Rei dos Reis."
A entrevista pré-gravada de Maduro seguiu-se à declaração de Trump na segunda-feira de que os EUA atingiram uma instalação de atracação usada por barcos de tráfico de drogas venezuelanos no mês passado. Relatos da imprensa norte-americana sugerem que a CIA esteve por trás do ataque com drones.
Se confirmado, este primeiro ataque terrestre marcaria uma nova fase numa campanha que incluiu o envio de uma grande frota naval dos EUA, ataques aéreos a alegados traficantes de drogas, um "bloqueio total" de petroleiros sancionados, a apreensão de dois navios e a perseguição a um terceiro.
Maduro disse que a sua última conversa com Trump foi uma chamada de 10 minutos em 21 de novembro, que descreveu como cordial e respeitosa. "Essa conversa foi até agradável, mas desde então a evolução não tem sido agradável", disse, apelando ao "diálogo e diplomacia" entre Washington e Caracas.
A entrevista foi gravada na véspera de Ano Novo, no mesmo dia em que os militares dos EUA anunciaram ataques a cinco alegados barcos de contrabando de drogas. De acordo com números da administração Trump, estes últimos ataques elevam o total de ataques conhecidos a barcos para 35, com pelo menos 115 pessoas mortas, incluindo venezuelanos.
Trump defendeu os ataques como uma escalada necessária para impedir que as drogas entrem nos EUA, afirmando que Washington está num "conflito armado". Os ataques começaram ao largo da costa caribenha da Venezuela e posteriormente expandiram-se para o leste do Oceano Pacífico.
Perguntas Frequentes
Claro. Aqui está uma lista de perguntas frequentes sobre o apelo do presidente venezuelano Nicolás Maduro ao ex-presidente dos EUA Donald Trump para que ponha fim à "ilegal beligerância" e se envolva em "conversações sérias".
Perguntas de Nível Iniciante
1. Sobre o que é esta notícia?
Trata-se de uma declaração pública do presidente venezuelano Nicolás Maduro dirigida ao ex-presidente dos EUA Donald Trump. Maduro está a criticar as políticas dos EUA em relação à Venezuela como agressivas e a apelar a negociações diplomáticas em vez disso.
2. O que significa "ilegal beligerância" aqui?
Maduro está a acusar o governo dos EUA de usar táticas agressivas ilegais – como sanções económicas severas, apoio a opositores políticos e ameaças de intervenção militar – para tentar forçar uma mudança no governo da Venezuela, o que ele afirma ser um ato de guerra política e económica.
3. Com quem está Maduro a falar? Trump ainda é presidente?
Não, Donald Trump não é o atual presidente. A declaração de Maduro visa provavelmente influenciar a política externa dos EUA, reconhecendo Trump como um dos principais candidatos nas próximas eleições e apelando diretamente à sua base e abordagem política.
4. Sobre o que seriam as "conversações sérias"?
Focariam-se principalmente no levantamento das sanções económicas dos EUA aos setores petrolífero e financeiro da Venezuela, em troca de garantias da Venezuela sobre condições como a realização de eleições livres e justas e o acesso humanitário.
Perguntas de Nível Intermédio
5. Porque é que Maduro está a fazer isto agora?
É um momento estratégico. Com uma eleição apertada nos EUA a aproximar-se, Maduro está a tentar moldar o debate sobre a política para a Venezuela. Ele pode esperar encorajar um candidato que anteriormente expressou ceticismo sobre guerras de mudança de regime a adotar uma abordagem mais orientada para acordos com a sua administração.
6. Qual é o contexto recente entre os EUA e a Venezuela?
As relações têm sido hostis há anos. Os EUA não reconhecem Maduro como presidente legítimo e reconhecem a figura da oposição Juan Guaidó. Sob o presidente Biden, houve um alívio temporário de algumas sanções petrolíferas após o governo de Maduro e a oposição terem concordado com um roteiro eleitoral, mas essas sanções foram reimpostas quando Maduro não cumpriu totalmente.
7. Quais são as principais sanções dos EUA à Venezuela?
As sanções centrais bloqueiam a empresa petrolífera estatal venezuelana PDVSA de aceder aos mercados dos EUA e ao sistema financeiro global, paralisando a principal fonte de receita do país.