Em janeiro, com a promessa de campanha de Donald Trump de encerrar a guerra na Ucrânia "em 24 horas" ainda fresca na memória, havia genuína inquietação em Moscou sobre as intenções do presidente norte-americano. Quando Trump sugeriu que "altos níveis de impostos, tarifas e sanções" contra a Rússia poderiam ser necessários, um proeminente comentarista pró-guerra em Moscou escreveu: "É melhor prepararmo-nos para o pior. Em breve, recordaremos o mandato de Biden com nostalgia, como um degelo."
Quão equivocado isso se mostrou. Desde então, o presidente norte-americano repetidamente falou com dureza sem tomar medidas significativas. Em maio, quando Vladimir Putin rejeitou um cessar-fogo de 30 dias e as negociações de paz na Turquia estagnaram, um pacote de sanções norte-americanas "esmagador" prometido nunca se materializou. Um prazo de 8 de agosto para Putin concordar com um cessar-fogo de alguma forma se transformou numa recepção de tapete vermelho no Alasca, onde Trump aplaudiu o líder russo — procurado por crimes de guerra — ao descer do avião. As "consequências severas" que Trump ameaçou se as negociações no Alasca não produzissem paz nunca chegaram.
Encorajado, Putin continuou a perseguir seus objetivos de guerra na Ucrânia e a testar as fraquezas ocidentais. A incursão de drones russos em território polonês na semana passada expôs falhas no planejamento da NATO, quando caros caças foram mobilizados para combater drones kamikaze baratos, custando cerca de 10.000 dólares cada. O movimento também sinalizou um aviso contra qualquer implantação futura de tropas europeias em solo ucraniano. Esta provocação exigia uma resposta forte e unificada para pressionar o Kremlin — algo que Trump até agora se recusou a fazer. Em vez disso, o presidente norte-americano parece preferir intimidar aliados europeus a confrontar Putin. Numa declaração que cheirava a má-fé, Trump afirmou no fim de semana que os EUA estavam "prontos" para impor sanções mais duras à Rússia, mas apenas sob condições altamente improváveis.
Ansioso por ganhos económicos, Washington insiste que a UE aumente as importações de gás natural liquefeito norte-americano a um ritmo que analistas consideram inatingível. Outras exigências incluem tarifas da UE de 50–100% sobre a China, principal aliada da Rússia, e uma paragem total das importações de petróleo russo por todos os membros da NATO — incluindo a Turquia, que não pertence à UE, recusa-se a sancionar Moscovo e obtém 57% do seu petróleo da Rússia.
Os otimistas em Bruxelas esperam que a pressão de Trump possa empurrar a Hungria e a Eslováquia — governos simpáticos ao seu movimento MAGA — a reduzir a sua dependência da energia russa. Isso é altamente improvável, como Trump e seus assessores certamente sabem. A UE também não pode arriscar o tipo de retaliação económica de Pequim que recentemente forçou o próprio Trump a recuar de uma guerra comercial total.
Esta semana, durante a sua visita de estado, caberá a Sir Keir Starmer pressionar Trump por uma ação decisiva. Mas desde as infrutíferas negociações no Alasca até às suas mais recentes táticas diversionistas com a UE, Trump continua a encontrar razões para não ser duro com a Rússia. A incursão de drones na Polónia na semana passada marcou uma escalada ominosa. As perspetivas da Ucrânia, e a segurança europeia em geral, estão a ser minadas por um presidente que, neste caso, late mas nunca morde.
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Perguntas Frequentes
Claro. Aqui está uma lista de Perguntas Frequentes sobre a visão do The Guardian acerca da estratégia de Donald Trump para a Ucrânia, concebida para ser clara e útil.
Perguntas Gerais / Iniciantes
P: Qual é o ponto principal da visão do The Guardian sobre a estratégia de Trump para a Ucrânia?
R: O ponto principal é que, embora o Presidente Trump tenha usado uma linguagem forte e dura em apoio à Ucrânia, as suas políticas e ações reais frequentemente minaram esse apoio, tornando a sua estratégia ineficaz e contraditória.
P: O que significa "falar com dureza mas fazer pouco" neste contexto?
R: Significa expressar publicamente um forte apoio à Ucrânia contra a agressão russa, enquanto simultaneamente toma ações — ou deixa de tomar ações — que enfraqueceram a posição da Ucrânia e fortaleceram a da Rússia.
P: Pode dar um exemplo simples desta contradição?
R: Sim. Um exemplo claro é vender publicamente mísseis antitanque à Ucrânia, enquanto alegadamente retém privadamente ajuda militar vital para pressionar a Ucrânia a investigar um rival político, o que ajudou diretamente a Rússia.
P: Porque é que o The Guardian acha que esta abordagem é um problema?
R: Porque cria incerteza entre os aliados dos EUA, encoraja adversários como a Rússia e, no final, prejudica a capacidade da Ucrânia de se defender, ao fazer com que o apoio norte-americano pareça pouco fiável e condicionado pela política interna.
Perguntas Avançadas / Detalhadas
P: Como é que a retórica de Trump sobre a Ucrânia diferiu da política oficial da sua administração?
R: Oficialmente, a política dos EUA sob Trump manteve o apoio à Ucrânia, incluindo o fornecimento de ajuda letal. No entanto, a sua retórica pessoal frequentemente elogiou Vladimir Putin, questionou o valor da NATO e sugeriu que a anexação da Crimeia pela Rússia poderia ser legítima, o que contradizia a posição oficial.
P: Qual foi o impacto da alegada retenção de ajuda à Ucrânia por parte de Trump?
R: Para além do impeachment doméstico, sinalizou tanto à Ucrânia como à Rússia que a assistência de segurança dos EUA não era garantida e poderia ser usada como moeda de troca para ganho político pessoal. Isso danificou a confiança e o planeamento estratégico da Ucrânia durante um conflito ativo.
P: Como é que a visão do The Guardian se enquadra numa crítica mais ampla da política externa de Trump?
R: O The Guardian enquadra isto como um exemplo principal da política externa transacional de Trump, onde alianças tradicionais e interesses estratégicos são secundários face a acordos pessoais e vitórias políticas domésticas. Argumentam que esta abordagem enfraquece a posição e a credibilidade global da América.