‘Absolutely hilarious’: Simon McBurney on how the legendary clown Philippe Gaulier transformed his life

‘Absolutely hilarious’: Simon McBurney on how the legendary clown Philippe Gaulier transformed his life

Muitas pessoas falam de um professor da infância que as transformou, alguém que revelou um conhecimento sobre o mundo que elas carregam pelo resto da vida. Eu não tive um desses. Só aconteceu quando eu tinha 24 anos e morava em Paris, quando entrei quase por acaso na aula de Philippe. Provocador, exigente, deliberadamente inapropriado e completamente hilário, Philippe me ensinou a não carregar nada — nem bagagem, nem ideias; não saber nada é tudo que você precisa. Porque somos todos ridículos.

Sua mãe era espanhola, e nós saboreávamos suas refeições quando ela vinha cozinhar para ele, ou melhor, com ele, em seu apartamento forrado com seus escritos, muitos dos quais tinham "rêves" (sonhos) inscritos na lombada. Ele se referia ao pai como "ce salaud bourgeois" (aquele idiota burguês) e adorava me contar a história de ter sido expulso da escola aos oito anos por socar o professor de ginástica, que tentava incutir disciplina nos meninos transformando-os em marinetes militares.

Entre as profissões e atitudes que despertavam sua ira — os militares, a igreja, a hipocrisia, a farsa, a falta de autenticidade, os políticos, os acadêmicos e os fascistas — os "collaborateurs" ocupavam um lugar especial em seu coração. Para um garoto que cresceu na França do pós-guerra, esse insulto era reservado para os mais merecedores. "C’est un collabo de merde de chien" — um colaborador de merda de cachorro, embora essa tradução não consiga capturar o prazeroso nojo e o deleite gastronômico com que ele cuspia essas palavras de debaixo de seu bigode.

O bigode, uma massa emaranhada de fios negros indisciplinados que obscureciam toda a área entre o nariz e o lábio inferior, me fascinou desde nosso primeiro encontro em uma fria noite de novembro de 1980, em seu estúdio na Rue Alfred de Vigny. Isso, e seu cachimbo apertado entre os dentes. Depois, havia seu cabelo desgrenhado, um suéter verde claro caído, botas envelhecidas e olhos — emoldurados por óculos redondos — que não perdiam nada, não levavam nada a sério e estudavam ferozmente cada possibilidade de hilaridade ou pretensão.

A sala estava cheia de pessoas que não sabiam o que esperar, mas tinham ouvido que Philippe Gaulier oferecia algo que não se conseguia em nenhum outro lugar. Apertei sua mão. Pausa. Um olhar. "Bonsoir." "Bonsoir." Pausa. Outro olhar. "You arre eeengleesh?" "Sim... er... Oui." "Tout le monde a des problèmes." O que ele acabou de dizer? Todo mundo tem problemas? Mão ainda apertada. Olhos brilhando. Risada maliciosa. Primeira lição.

"Moi," colocando a mão na barriga, "moi, je suis le professeur, vous... vous êtes des élèves." As regras foram estabelecidas — regras do jogo. Desde o início, o jogo era que ele era o professor, e nós éramos os alunos. O professor de ginástica foi parodiado; a relação de poder foi oferecida como uma estrutura a ser minada e despedaçada com risadas.

Não havia estilo, nem ideias fixas. Cada pessoa era escrupulosamente atendida, desmontada, reconstruída, convidada, insultada, bajulada, encantada e, o mais importante, brincada. Ele brincava com cada um de nós com generosidade infinita, hilaridade de dar dor na barriga, persistência incansável e flexibilidade totalmente espontânea.

Aprendemos a falhar e começar de novo; aprendemos a abandonar nossas próprias ideias, porque as ideias nunca eram o problema — apenas interpretá-las. Quando as pessoas riem de você, isso revela uma verdade, e é por isso que odiamos que riam de nós na vida real. Mas com Philippe, pudemos aprender que deixar de abraçar essa sensação vulnerável de exposição era prejudicial para revelar nossa humanidade.

Compartilhar essa falibilidade em uma relação cúmplice com o público é um ato radical — uma união anárquica encontrada em nenhuma outra forma de arte. "Se um ator esqueceu como brincar como uma criança, ele não deveria ser ator", ele me dizia enquanto me levava ao bar durante o intervalo do almoço antes da sessão da tarde. Naquela altura, ele tinha decidido que eu era seu assistente, e precisávamos discutir os assuntos sérios da tarde.

"Aqui, meu garoto, vamos buscar inspiração", ele dizia. Então, inclinando-se sobre o balcão com o cachimbo na boca, pedia: "Dois martinis grandes de gim..."



Perguntas Frequentes
Claro. Aqui está uma lista de Perguntas Frequentes sobre a experiência de Simon McBurney com Philippe Gaulier, em um tom conversacional natural.





Iniciante / Perguntas Gerais




1. Quem é Philippe Gaulier e por que ele é tão importante?

Philippe Gaulier é um lendário professor de teatro francês e ex-aluno do famoso mímico Jacques Lecoq. Ele é conhecido por sua escola em Paris, brutalmente honesta, hilária e transformadora, que se concentra em encontrar o palhaço único do ator e sua ludicidade alegre.




2. O que Simon McBurney quer dizer com "Absolutamente hilário"?

Ele está se referindo ao ensino central de Gaulier: que a verdadeira comédia e a performance cativante vêm de um estado de prazer lúdico genuíno. Se você está se divertindo e é absolutamente hilário para si mesmo, o público ficará cativado. Não se trata de contar piadas, mas de um estado de ser.




3. Como Gaulier transformou a vida de Simon McBurney?

McBurney diz que Gaulier desmontou sua abordagem intelectual e séria do teatro. Ele o empurrou para parar de tentar ser bom ou significativo e, em vez disso, conectar-se com um senso de brincadeira infantil, falha e prazer. Isso se tornou a base para o trabalho inovador de McBurney com sua companhia, Complicité.




4. O que é o "palhaço" no ensino de Gaulier?

Não é um palhaço de circo com nariz vermelho. É seu eu único, ridículo, vulnerável e autêntico que emerge quando você está brincando livremente na frente dos outros. Trata-se de ser visto e encontrar prazer no momento.




5. A escola de Gaulier é apenas para palhaços e comediantes?

Não. Embora famosa pela comédia, atores, diretores, escritores e até pessoas fora das artes frequentam. O treinamento é sobre presença, criatividade, escuta e superação da autocensura — habilidades valiosas para qualquer um.




Avançado / Perguntas Práticas




6. O que são "le jeu" e "le plaisir"?

Estes são os conceitos centrais de Gaulier.