Um dia em que a verticalidade do poder se expressa num cessar-fogo frágil, numa exemplaridade política contestada e em instituições que se retiram. Enquanto alguns debatem a IA e as pequenas empresas, outros notam que o abandono prepara o terreno para tragédias.
O dia abre com um alerta geopolítico: Stephane Audrand publica no Le Grand Continent uma análise de um possível cessar-fogo na Ucrânia, recordando que, embora a cessação dos combates continue a ser uma boa notícia, não deve haver ilusões quanto à armadilha que está a ser montada. O mesmo reflexo de vigilância percorre a citação de Armel Guerne partilhada por Pierre Jean Duvivier dit Sage: num mundo dedicado à mentira, o poeta tenta reintroduzir um pouco de ternura, de beleza e sobretudo de verdade. Entre a realpolitik e a poesia, a questão da mentira é colocada desde o início. Hervé Polesi, Ph.D. acrescenta uma nota institucional ao considerar particularmente inapropriada a mobilização de unidades do RAID prevista no âmbito do dia 24 de outubro, como se o aparelho de segurança estivesse a preencher um vazio argumentativo.
Esta desconfiança em relação às instituições encontra eco direto no ataque de Pierre Jean Duvivier dit Sage à exemplaridade, que se recusa a considerar uma noção vazia: seria a matriz de uma ordem justa. Aponta o contraste entre os líderes políticos expostos a escândalos e a sua manutenção no cargo, vendo nisso já não uma ordem mas violência estatal em ação. A dissolução anunciada da Federação Francesa de Desporto Automóvel inspira-lhe a mesma observação de um governo que só sabe punir sem pensar, correndo o risco de destruir uma ferramenta única de deteção de talentos e uma política exemplar em relação às raparigas. Nathalie DREAN recorda por seu lado que aos professores é confiado o futuro das nossas crianças, uma forma de sublinhar que o reconhecimento devido àqueles que moldam a sociedade não pode ser decretado apenas pela sanção.
O debate sobre a inteligência artificial ilustra a mesma tensão entre abertura e reflexo proibitivo. Pierre Jean Duvivier dit Sage troça de uma Europa Ocidental que, entre o RN no poder e os defensores de uma proibição da IA, lhe parece não ter futuro, ao ponto de evocar a migração para a China e o abandono de qualquer ideia democrática em favor apenas da corrida tecnológica. La Quadrature du Net publica por seu lado um documento que prova, segundo ela, que a France Travail procura implementar uma IA generativa do tipo ChatGPT com o objetivo de vigiar os candidatos a emprego, ilustrando uma passagem de um sistema de controlo para outro. Entre a injunção para inovar e a vigilância assistida por algoritmos, a IA surge menos como uma promessa do que como um revelador de escolhas políticas.
A questão do tratamento mediático e judicial da violência regressa com força na publicação de Pierre Jean Duvivier dit Sage sobre um atirador chamado Kevin, seguidor das teorias do RN, que mata Mohamed e fere transeuntes: denuncia uma classificação que não retém o terrorismo, questiona a ausência de certos meios de comunicação no local e recorda que a extrema-direita de Lyon pratica espancamentos e incursões racistas há cerca de vinte anos na indiferença geral. O mesmo autor descreve depois comerciantes no limite, maltratados pelos impostos e perseguidos pela Urssaf, abandonados face a pilhagens que a polícia já não impede, e adverte que, ao deixar sozinhos estes pequenos empresários, o Estado está a preparar as condições para uma tragédia. La Croix relata por fim a análise de Jérôme Perrier sobre a cultura do poder vertical, da monarquia do Antigo Regime ao macronismo, em que o Estado pretende saber tudo em detrimento da sociedade civil: três ângulos do mesmo abandono.
As pequenas empresas, precisamente, estão no centro de uma observação quantificada de Pierre Jean Duvivier dit Sage: entre 2012 e 2022, as microempresas criaram 870.000 empregos, as PME 655.000 e as empresas de média dimensão 346.000, enquanto as grandes empresas eliminaram 173.000 postos nos seus estabelecimentos existentes, preferindo crescer através de aquisições. Segundo a Dares, 61% das contratações subsidiadas no setor de mercado teriam ocorrido sem ajudas do Estado, o que representa potencialmente vários milhares de milhões em efeitos de fortuna de 20,8 mil milhões dedicados a contratos subsidiados ao longo de dez anos. O autor retira daí uma síntese que toma da direita a redução de encargos e normas e da esquerda a crítica das subvenções inúteis, acrescentando uma pitada pessoal sobre o horror administrativo e as exigências contabilísticas absurdas. Isabelle Bouilloux coloca uma questão vizinha noutro registo: aprenderiam as IA explorando livremente dentro de um perímetro determinado? Liberdade limitada, decididamente, é o tema do dia.
A exemplaridade regressa pela porta dos testemunhos: Fédora Hélène relata o facto de duas mulheres terem testemunhado contra Darmanin, num país que não reconhece o consentimento das mulheres, das nossas mães, das nossas irmãs e das nossas filhas. Pierre Jean Duvivier dit Sage comemora por seu lado o 23 de outubro de 1956, quando os húngaros se levantaram contra a URSS, quando a Hungria se retirou do Pacto de Varsóvia antes de ser invadida por dezasseis divisões soviéticas, com 2.500 mortos e 200.000 pessoas a fugir do país, e já o Ocidente a abandonar um povo que queria tornar-se livre. La Croix, por fim, completa o quadro recordando que a verticalidade do poder francês não é uma invenção recente mas uma continuidade do Antigo Regime.
O macronismo recebe uma definição sem nuances sob a pena de Pierre Jean Duvivier dit Sage, que vê nele uma "merdificação" de tudo, uma união das idiotices da esquerda e da direita envolta numa rara autossatisfação. A fórmula é breve, quase um slogan, mas prolonga a crítica do poder vertical e da exemplaridade falhada desenvolvida acima.
Do lado técnico, duas publicações recordam que a IA não perdoa a aproximação. Julien Mutzenhardt relata os 17.000 euros em penalizações impostos por um JSON mal formatado, e o erro fatal com os LLM que atribui à descodificação constrangida. Pierre Jean Duvivier, conhecido como Sage, explica como a IA, usando o OpenCode, o leva a descobrir novos sites e sistemas, como o Runware AI, que lhe permite por dois dólares por mês gerar trinta miniaturas por dia via API, com uma chamada ao DeepSeek que compreende o texto e o traduz em prompts de geração de imagens. Menciona também o Jitter, acrescentado ao crontab para introduzir aleatoriedade na execução de tarefas, e a arquitetura global que promete apresentar. O entusiasmo do explorador contrasta com a fatura do mau formato.
A privacidade está a tornar-se um ponto de rutura: Pierre Jean Duvivier, conhecido como Sage, explica que um resolvedor de DNS que coloca a proteção da privacidade em primeiro lugar escolheu simplesmente deixar um país em vez de mentir aos seus utilizadores. Esse país é a França: a Quad9 deixará de fornecer o seu serviço DNS gratuito a partir de 24 de novembro, depois de um tribunal francês lhe ter ordenado o bloqueio de nomes de domínio que a BeIN Sports acusava de facilitar a pirataria de transmissões desportivas. A Quad9 recusou, afirmando categoricamente que se recusa a modificar ou falsificar respostas DNS de forma contrária às expectativas dos utilizadores. Julien Mutzenhardt, com o seu JSON mal formatado, ilustra à sua maneira que o rigor técnico tem um custo, mas aqui é o rigor ético que tem um preço.
O dia encerra com uma leitura e uma pergunta. Hugues Jallon e Franck Bourgeron publicam Le temps des salauds na Casterman BD, com esta frase que resume o espírito do tempo: o fascismo começa com loucos, concretiza-se graças a canalhas e continua por causa de idiotas. Pierre Jean Duvivier, conhecido como Sage, recomenda guardar o livro a bom recato antes que as suas personagens cheguem ao poder em França. Yousuf Bruno Latif, por seu lado, assina sobriamente "Connect" em torno do seguro de saúde e do poder de compra suíço, como recordação de que os debates substantivos continuam longe da grande indignação. Entre a banda desenhada e a caixa de seguro de saúde, resta espaço para a nuance.
O meu bestiário do dia
As penas e as vozes cruzadas nesta edição:
- Fédora Hélène
Avisar os seus empregadores, o povo francês, de que duas mulheres testemunharam contra Darmanin, num país que não reconhece o consentimento das mulheres, das nossas mães, das nossas irmãs, das nossas filhas. - Hervé Polesi, Ph.D.
Soube que havia planos para mobilizar unidades do RAID no âmbito do dia 24 de outubro. Parece-me que é uma decisão particularmente inapropriada. - Isabelle Bouilloux
Aprenderiam as IA explorando livremente dentro de um perímetro determinado? - Josquin Salata
Descubra a minha nova publicação! - Julien Mutzenhardt
17.000 € em penalizações por um JSON mal formatado: o erro fatal com os LLM! 
- La Croix
Da monarquia do Antigo Regime ao macronismo, a França perpetua uma cultura de poder vertical. Um sistema em que o Estado pretende saber tudo, em detrimento da sociedade civil, nota Jérôme Perrier. - La Quadrature du Net
Publicamos um documento que prova que a France Travail procura implementar uma IA generativa – do tipo ChatGPT – com o objetivo de vigiar os desempregados. Ilustrando a passagem de um sistema de controlo - Maria Sukhareva
Parece que o Kimi K3.1 bate o Fable 5.1 e a Anthropic volta com a sua história habitual. - Nathalie DREAN



Confiamos aos professores o futuro das nossas crianças. - Pierre Jean Duvivier conhecido como Sage
A exemplaridade não é uma noção "vazia". · "Um poeta é alguém que tenta pôr num mundo tornado assustadoramente feio, horrivelmente egoísta, duro, mau, um pouco de ternura, um pouco de beleza… E sobretudo, num mundo que é · A Federação Francesa de Desporto Automóvel vai ser dissolvida. · Entre o #RN no poder, os idiotas que proíbem a #IA….. Já não vejo realmente como a Europa "Ocidental" pode ter qualquer futuro que seja. · Chegou a Era em que "TUDO" é possível. · Quando é o Kevin (é mesmo esse o seu nome), um seguidor das teorias do #RN, que dispara sobre Mohamed e o mata, e fere transeuntes, não é um ato terrorista mas um tiro mortal… Nuance. · Comerciantes no limite, abandonados face ao vazio total do Estado e a uma polícia que já quase nada protege. · A 23 de outubro de 1956, os húngaros levantaram-se contra os soviéticos — a URSS. · A #IA tem algo de interessante quando uso o OpenCode… faz-me descobrir novos sites e sistemas. · COVID: Quando a Task Force mentiu à população, ou crónica da falência do jornalismo (suíço). · Um resolvedor de DNS que coloca a proteção da privacidade em primeiro lugar acaba de escolher simplesmente deixar um país em vez de mentir aos seus utilizadores. · Hugues Jallon & Franck Bourgeron publicam Le temps des salauds na Casterman BD. · Em França, são as pequenas empresas que criam empregos, não as grandes. · O macronismo é uma "merdificação" de tudo…a reunião perfeita das idiotices da esquerda com as da direita envolta numa rara autossatisfação. - Stephane AUDRAND
A minha opinião no Le Grand Continent sobre um possível cessar-fogo na Ucrânia. Se a cessação dos combates é sempre uma boa notícia, cuidado com a armadilha que está a ser montada. Não nos deixemos embalar pela ilusão. Não é - Yousuf Bruno Latif
Connect
Resumo editorial produzido com a assistência do DeepSeek a partir das publicações acima listadas.
A publicação Quando o Estado pune, abandona ou se cala apareceu primeiro em les plumes qui mordent.
Perguntas Frequentes
FAQs Quando o Estado Pune Abandona ou se Cala
Definições Noções Básicas
1 O que significa quando o estado pune abandona ou se cala
Refere-se a três formas como um governo pode falhar com o povo que governa: prejudicá-lo ativamente, retirar apoio ou proteção, ou não agir quando a ação é necessária
2 O que conta como punição estatal
Qualquer ação das autoridades destinada a penalizar, dissuadir ou retaliar contra pessoas — como detenções, multas, restrições forçadas de direitos ou corte de serviços como penalização
3 O que é abandono estatal
Quando o Estado se retira das suas responsabilidades — deixando as pessoas sem proteção, serviços ou apoio que deveria fornecer, como não responder a uma crise ou negligenciar uma região ou grupo
4 Como se manifesta o silêncio estatal
Inação face a danos claros: não investigar crimes, não se pronunciar contra abusos, ignorar avisos ou recusar reconhecer um problema
5 Isto é sobre um país ou muitos
É um quadro geral. Todos os Estados fazem algumas destas coisas em algum momento; a questão é com que frequência, contra quem e com que consequências
Porque é Importante
6 Porque é que as pessoas comuns se devem preocupar
Porque estes comportamentos afetam a segurança, os direitos e a confiança nas instituições. Quando o Estado pune injustamente, abandona comunidades ou se cala sobre danos, as pessoas pagam o preço — muitas vezes as mais vulneráveis primeiro
7 Quais são os custos do silêncio estatal
O dano não tratado cresce. Os crimes ficam impunes, as crises agravam-se e a confiança erosiona-se — o que pode levar a mais conflito ou instabilidade mais tarde
8 A punição pode alguma vez ser legítima
Sim — a punição através de processos legais, justos e proporcionados é uma função normal do Estado. A preocupação é quando a punição é arbitrária, excessiva ou usada contra pessoas por aquilo que são ou pelo que acreditam pacificamente
Problemas Comuns Exemplos
9 Quais são exemplos comuns de punição estatal
Força excessiva contra manifestantes, multas punitivas, detenção arbitrária, retaliação contra denunciantes ou retirada de benefícios como penalização
10 Quais são exemplos de abandono
Não evacuar uma zona de desastre, negligenciar serviços públicos em zonas pobres ou deixar grupos vulneráveis sem proteção